A palavra comunidade deriva da fusão de duas palavras: comum + unidade = comunidade. Desde os primórdios do cristianismo a comunidade foi o local da manifestação de Jesus Ressuscitado. Ele sempre se apresentou quando a comunidade estava reunida. Por isso que é de fundamental importância que nos reunamos em comunidade. Uma unidade comum que forma o corpo de Cristo a Igreja.
O profeta Ezequiel (Ez 33,7-9) chama a nossa atenção para a responsabilidade que temos para com nossos irmãos e irmãs de comunidade. Muitas vezes vemos nossos irmãos trilharem caminhos contrários aos propostos por Deus. Sabemos que a Dona Maria deixou de participar da comunidade cristã por motivos fúteis e não vamos até ela perguntar o que está acontecendo. Nos tempos modernos nos quais vivemos corremos o risco de alimentarmos uma fé individualista e não comunitária. As escrituras cristãs nos ensinam o contrário.
A fé cristã é vivida em comunidade. Uma comunidade que se une no amor do Ressuscitado. Uma pessoa que deixa de participar da comunidade cristã faz falta ao corpo eclesial que é a Igreja. Hoje cultiva-se a mentalidade da espiritualidade individualista. Nesta perspectiva a pessoa faz suas orações em casa. Muitos adoram e louvam o Senhor pela tela da televisão ou do computador! A vida comunitária não admite relações virtuais. Esta fé é descompromissada da comunidade eclesial. Não assume vínculos comunitários. Vive-se de maneira isolada e solitária. A unidade comum é quebrada.
Ezequiel abre nosso olhar para além do individualismo. Somos responsáveis pela construção da comunidade eclesial através do amor sincero e das palavras que edificam.
Paulo escrevendo à comunidade de Romanos (Rm 13,8-10) apresenta o vínculo que une as pessoas: o amor. Nada devemos ficar devendo aos nossos irmãos e irmãs, a não ser o amor mútuo. O amor mútuo é aquele que une todos na presença do ressuscitado. É o amor que cria laços de fraternidade, justiça e solidariedade. Todos os mandamentos da Lei de Deus se resumem em apenas um: “Amarás o seu próximo como a ti mesmo”.
Amar o próximo é reconhecer em primeiro lugar que ele é filho de Deus, e que todos somos irmãos, visto que formamos uma só família. A comunidade reunida recorda a cada membro esta verdade: todos somos irmãos e irmãs, formamos uma única família, juntos no mesmo Senhor. Quando deixamos de participar da vida em comunidade quebramos este vínculo que une a todos. Fé individualista é contra sinal da unidade. A proposta é que vivamos em sintonia de fé e esperança, acreditando que um mundo novo começa a ser construído quando nos unimos na fé pascal e nos damos a mão para construir o Reino de Deus.
Paulo ainda nos lembra de que o amor não faz nenhum mal contra o próximo. Onde existe amor não existe violência. O mesmo processo acontece na comunidade cristã que vivencia o amor de forma integral! Uma comunidade amorosa aceita o diferente e aprende com ele, não faz exclusão de pessoas, acolhe a cada e sente-se membro de uma única família. Fato é que o amor é o pleno cumprimento da Lei.
Quando nos reunimos Cristo está no meio de nós. Sua presença invisível se faz visível nos sinais visíveis: comunidade reunida, pão e vinho, na liturgia, na Palavra proclamada... Mateus (Mt 18,15-20) recorda esta graça da presença do Senhor à sua comunidade: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles”. Interessante notarmos que o critério para que a comunidade seja comunidade, tenha a necessidade de mais de uma pessoa. Comunidade individual não existe. Comunidade sempre supõe a presença de mais de uma pessoa. As palavras de Jesus são extremamente claras quanto a isso.
Parafraseio as sábias palavras de Igor Miguel, teólogo reformado... “Muita gente anda decepcionada com a Igreja, com a comunidade local. Alguns com motivos consistentes, outros apenas por capricho infantil. Muitos querem uma Igreja, uma comunidade ideal e esquecem-se de amar a Igreja, a comunidade real. A Igreja tem pecadores iguais lá fora dela. Com uma única diferença: na Igreja você encontrará pecadores arrependidos e que se voltaram para Cristo."
Resumindo a ópera: eu amo viver na Igreja, na comunidade. Enquanto muitos querem viver “O Cristo em Casa”, eu quero viver Cristo com os outros! Cristo deve ser o centro da nossa vida comunitária. “Se Cristo não for o centro da vida comunitária, pode esquecer, é clube, e não Igreja.”
Que a cada dia possamos ter consciência que a vida comunitária é um desafio, mas que as alegrias são bem maiores que os problemas que sempre existiram e continuarão existindo.
Somente quando a consciência da comum unidade tomar nosso coração por inteiro descobriremos a alegria de sermos irmãos e irmãs na presença do Ressuscitado.
Flávio Sobreiro
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Este texto foi retirado do site da Ultimato e pode ser visto na página http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/comum-unidade
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Trabalho, fé e desafios
Como jovens cristãos enfrentamos constantemente diversos desafios relacionados ao trabalho: ser aprovado em um processo seletivo; identificar-se com uma área de atuação específica; ganhar o suficiente para manter um novo núcleo familiar; mudar de cidade pelo emprego; suportar afronta de colegas; erguer uma nova empresa; dar conta da sobrecarga de atividades. Diante deles, como permanecer firmes na fé? Faz-se necessário abraçar uma visão bíblica do significado do trabalho para os fiéis em Cristo.
Qual é o sentido do trabalho, apontado pela Bíblia, para os cristãos? Qual é a importância dele para aqueles que, uma vez chamados e justificados, esperam com fé que sua glorificação seja manifesta? Se já têm a garantia de que, quando Cristo voltar, estarão para sempre com o Senhor, para quê enfrentar os desafios de trabalho antes deste tempo chegar?
Alguns dos cristãos de Tessalônica, aparentemente devido à expectativa da volta de Jesus, não mais quiseram trabalhar (2Ts 3.11). A maneira como lidaram com os desafios do trabalho foi simples: supressão. Para eles, não havia nenhum sentido para o trabalho na vida do cristão. A resposta de Paulo a esse comportamento foi categórica: “(...) se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2Ts 3.10). O apóstolo apresenta, nesse contexto (3.6-12), algumas razões pelas quais o cristão deve trabalhar, a despeito dos desafios enfrentados: não se tornar pesado a outros, em termos de sustento; dar exemplo a ser imitado; fazer coisas úteis; e obter o seu próprio pão.
Agregam-se a estas os motivos mencionados na carta anterior: expressar amor a quem recebe, ainda que indiretamente, os benefícios do trabalho (1Ts 2.6-12); evitar a intromissão desordeira na vida alheia (1Ts 4.11; 1Tm 5.13); não dar ocasião para a maledicência por parte dos descrentes no que diz respeito à conduta (1Ts 4.12a); e, novamente, liberar os outros do peso do sustento (4.12b). Na carta aos colossenses, Paulo destaca uma motivação ainda mais fundamental: trabalhar como se servindo a Cristo, pois, de fato, é dele, em última instância, que receberemos o eterno galardão (Cl 3.17, 23, 24). Portanto, negar o trabalho, suprimindo seus desafios, não é uma opção bíblica para o cristão.
O extremo oposto também não é uma alternativa: afirmar irrestritamente o trabalho, acrescentando para si desnecessários desafios. (Basta lembrar a separação instituída por Deus desde a Criação de um a cada seis dias para descanso.) Lidar com o trabalho sem impor limites pode ser o resultado tanto da ansiosa preocupação com o suprimento das necessidades futuras (Mt 6.24-34) quanto do amor pelas coisas supérfluas deste mundo (1Tm 6.7-10). No primeiro caso, o trabalhar desmedido torna-se uma exteriorização da insegurança no cuidado providencial de Deus; no segundo, expressa infidelidade ao Senhor, pelo apego a valores transitórios, como dinheiro, poder e conhecimento (Jr 9.23, 24; Mt 6.19-21).
Devemos, portanto, entender o trabalho como meio de servir a Deus e ao próximo e enfrentar com fé seus desafios, diante dos benefícios que ele proporciona. Contudo, não podemos assumi-lo indiscriminadamente, com a inquietação e a ganância de quem não confia tanto assim na provisão de Deus nem está tão disposto a derrubar os altares idólatras ainda presentes em seu coração. Que ao menos a cada seis dias relembremos a visão bíblica do trabalho e abracemos na semana porvir suas implicações libertadoras!
Qual é o sentido do trabalho, apontado pela Bíblia, para os cristãos? Qual é a importância dele para aqueles que, uma vez chamados e justificados, esperam com fé que sua glorificação seja manifesta? Se já têm a garantia de que, quando Cristo voltar, estarão para sempre com o Senhor, para quê enfrentar os desafios de trabalho antes deste tempo chegar?
Alguns dos cristãos de Tessalônica, aparentemente devido à expectativa da volta de Jesus, não mais quiseram trabalhar (2Ts 3.11). A maneira como lidaram com os desafios do trabalho foi simples: supressão. Para eles, não havia nenhum sentido para o trabalho na vida do cristão. A resposta de Paulo a esse comportamento foi categórica: “(...) se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2Ts 3.10). O apóstolo apresenta, nesse contexto (3.6-12), algumas razões pelas quais o cristão deve trabalhar, a despeito dos desafios enfrentados: não se tornar pesado a outros, em termos de sustento; dar exemplo a ser imitado; fazer coisas úteis; e obter o seu próprio pão.
Agregam-se a estas os motivos mencionados na carta anterior: expressar amor a quem recebe, ainda que indiretamente, os benefícios do trabalho (1Ts 2.6-12); evitar a intromissão desordeira na vida alheia (1Ts 4.11; 1Tm 5.13); não dar ocasião para a maledicência por parte dos descrentes no que diz respeito à conduta (1Ts 4.12a); e, novamente, liberar os outros do peso do sustento (4.12b). Na carta aos colossenses, Paulo destaca uma motivação ainda mais fundamental: trabalhar como se servindo a Cristo, pois, de fato, é dele, em última instância, que receberemos o eterno galardão (Cl 3.17, 23, 24). Portanto, negar o trabalho, suprimindo seus desafios, não é uma opção bíblica para o cristão.
O extremo oposto também não é uma alternativa: afirmar irrestritamente o trabalho, acrescentando para si desnecessários desafios. (Basta lembrar a separação instituída por Deus desde a Criação de um a cada seis dias para descanso.) Lidar com o trabalho sem impor limites pode ser o resultado tanto da ansiosa preocupação com o suprimento das necessidades futuras (Mt 6.24-34) quanto do amor pelas coisas supérfluas deste mundo (1Tm 6.7-10). No primeiro caso, o trabalhar desmedido torna-se uma exteriorização da insegurança no cuidado providencial de Deus; no segundo, expressa infidelidade ao Senhor, pelo apego a valores transitórios, como dinheiro, poder e conhecimento (Jr 9.23, 24; Mt 6.19-21).
Devemos, portanto, entender o trabalho como meio de servir a Deus e ao próximo e enfrentar com fé seus desafios, diante dos benefícios que ele proporciona. Contudo, não podemos assumi-lo indiscriminadamente, com a inquietação e a ganância de quem não confia tanto assim na provisão de Deus nem está tão disposto a derrubar os altares idólatras ainda presentes em seu coração. Que ao menos a cada seis dias relembremos a visão bíblica do trabalho e abracemos na semana porvir suas implicações libertadoras!
Jonathan Simões Freitas, 26 anos, casado com Thalita, é doutorando em administração e pesquisador pela UFMG.
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Texto retirado da Revista Ultimato, edição de Set-Out 2011, seção AltosPapos (pg. 44).
Turma da Alegria
A CEC irá comemorar o Dia das Crianças com mais um evento "Turma da Alegria".
Tragam seus filhos, os amigos de seus filhos, os filhos de seus amigos...
Vamos encher a CEC de crianças, pois haverá uma mensagem evangelística especialmente para elas!
Encontros de Mulheres
Muitas mulheres gostaram muito de discutir sobre a sexualidade feminina no último encontro e pediram que continuássemos com o tema. Agora o discutiremos sob o ponto de vista masculino, no dia 01/10. Venham e tragam convidadas!
(Clique na imagem para ampliar)
O encontro seguinte será no dia 5 de Novembro, com o tema Comunicação em Família.
Na ocasião, teremos o nosso amigo oculto e também o chá-de-panela da nossa irmã Rita.
Aguarde mais informações.
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Encontro de Mulheres (Dia 17/09)
Quem marca presença nos Encontros de Mulheres podem comprovar o quanto são edificantes e divertidos!
Mulheres, não percam o próximo encontro, no dia 01/10/2011, às 16 horas.
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