A palavra comunidade deriva da fusão de duas palavras: comum + unidade = comunidade. Desde os primórdios do cristianismo a comunidade foi o local da manifestação de Jesus Ressuscitado. Ele sempre se apresentou quando a comunidade estava reunida. Por isso que é de fundamental importância que nos reunamos em comunidade. Uma unidade comum que forma o corpo de Cristo a Igreja.
O profeta Ezequiel (Ez 33,7-9) chama a nossa atenção para a responsabilidade que temos para com nossos irmãos e irmãs de comunidade. Muitas vezes vemos nossos irmãos trilharem caminhos contrários aos propostos por Deus. Sabemos que a Dona Maria deixou de participar da comunidade cristã por motivos fúteis e não vamos até ela perguntar o que está acontecendo. Nos tempos modernos nos quais vivemos corremos o risco de alimentarmos uma fé individualista e não comunitária. As escrituras cristãs nos ensinam o contrário.
A fé cristã é vivida em comunidade. Uma comunidade que se une no amor do Ressuscitado. Uma pessoa que deixa de participar da comunidade cristã faz falta ao corpo eclesial que é a Igreja. Hoje cultiva-se a mentalidade da espiritualidade individualista. Nesta perspectiva a pessoa faz suas orações em casa. Muitos adoram e louvam o Senhor pela tela da televisão ou do computador! A vida comunitária não admite relações virtuais. Esta fé é descompromissada da comunidade eclesial. Não assume vínculos comunitários. Vive-se de maneira isolada e solitária. A unidade comum é quebrada.
Ezequiel abre nosso olhar para além do individualismo. Somos responsáveis pela construção da comunidade eclesial através do amor sincero e das palavras que edificam.
Paulo escrevendo à comunidade de Romanos (Rm 13,8-10) apresenta o vínculo que une as pessoas: o amor. Nada devemos ficar devendo aos nossos irmãos e irmãs, a não ser o amor mútuo. O amor mútuo é aquele que une todos na presença do ressuscitado. É o amor que cria laços de fraternidade, justiça e solidariedade. Todos os mandamentos da Lei de Deus se resumem em apenas um: “Amarás o seu próximo como a ti mesmo”.
Amar o próximo é reconhecer em primeiro lugar que ele é filho de Deus, e que todos somos irmãos, visto que formamos uma só família. A comunidade reunida recorda a cada membro esta verdade: todos somos irmãos e irmãs, formamos uma única família, juntos no mesmo Senhor. Quando deixamos de participar da vida em comunidade quebramos este vínculo que une a todos. Fé individualista é contra sinal da unidade. A proposta é que vivamos em sintonia de fé e esperança, acreditando que um mundo novo começa a ser construído quando nos unimos na fé pascal e nos damos a mão para construir o Reino de Deus.
Paulo ainda nos lembra de que o amor não faz nenhum mal contra o próximo. Onde existe amor não existe violência. O mesmo processo acontece na comunidade cristã que vivencia o amor de forma integral! Uma comunidade amorosa aceita o diferente e aprende com ele, não faz exclusão de pessoas, acolhe a cada e sente-se membro de uma única família. Fato é que o amor é o pleno cumprimento da Lei.
Quando nos reunimos Cristo está no meio de nós. Sua presença invisível se faz visível nos sinais visíveis: comunidade reunida, pão e vinho, na liturgia, na Palavra proclamada... Mateus (Mt 18,15-20) recorda esta graça da presença do Senhor à sua comunidade: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles”. Interessante notarmos que o critério para que a comunidade seja comunidade, tenha a necessidade de mais de uma pessoa. Comunidade individual não existe. Comunidade sempre supõe a presença de mais de uma pessoa. As palavras de Jesus são extremamente claras quanto a isso.
Parafraseio as sábias palavras de Igor Miguel, teólogo reformado... “Muita gente anda decepcionada com a Igreja, com a comunidade local. Alguns com motivos consistentes, outros apenas por capricho infantil. Muitos querem uma Igreja, uma comunidade ideal e esquecem-se de amar a Igreja, a comunidade real. A Igreja tem pecadores iguais lá fora dela. Com uma única diferença: na Igreja você encontrará pecadores arrependidos e que se voltaram para Cristo."
Resumindo a ópera: eu amo viver na Igreja, na comunidade. Enquanto muitos querem viver “O Cristo em Casa”, eu quero viver Cristo com os outros! Cristo deve ser o centro da nossa vida comunitária. “Se Cristo não for o centro da vida comunitária, pode esquecer, é clube, e não Igreja.”
Que a cada dia possamos ter consciência que a vida comunitária é um desafio, mas que as alegrias são bem maiores que os problemas que sempre existiram e continuarão existindo.
Somente quando a consciência da comum unidade tomar nosso coração por inteiro descobriremos a alegria de sermos irmãos e irmãs na presença do Ressuscitado.
Flávio Sobreiro
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Este texto foi retirado do site da Ultimato e pode ser visto na página http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/comum-unidade
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Trabalho, fé e desafios
Como jovens cristãos enfrentamos constantemente diversos desafios relacionados ao trabalho: ser aprovado em um processo seletivo; identificar-se com uma área de atuação específica; ganhar o suficiente para manter um novo núcleo familiar; mudar de cidade pelo emprego; suportar afronta de colegas; erguer uma nova empresa; dar conta da sobrecarga de atividades. Diante deles, como permanecer firmes na fé? Faz-se necessário abraçar uma visão bíblica do significado do trabalho para os fiéis em Cristo.
Qual é o sentido do trabalho, apontado pela Bíblia, para os cristãos? Qual é a importância dele para aqueles que, uma vez chamados e justificados, esperam com fé que sua glorificação seja manifesta? Se já têm a garantia de que, quando Cristo voltar, estarão para sempre com o Senhor, para quê enfrentar os desafios de trabalho antes deste tempo chegar?
Alguns dos cristãos de Tessalônica, aparentemente devido à expectativa da volta de Jesus, não mais quiseram trabalhar (2Ts 3.11). A maneira como lidaram com os desafios do trabalho foi simples: supressão. Para eles, não havia nenhum sentido para o trabalho na vida do cristão. A resposta de Paulo a esse comportamento foi categórica: “(...) se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2Ts 3.10). O apóstolo apresenta, nesse contexto (3.6-12), algumas razões pelas quais o cristão deve trabalhar, a despeito dos desafios enfrentados: não se tornar pesado a outros, em termos de sustento; dar exemplo a ser imitado; fazer coisas úteis; e obter o seu próprio pão.
Agregam-se a estas os motivos mencionados na carta anterior: expressar amor a quem recebe, ainda que indiretamente, os benefícios do trabalho (1Ts 2.6-12); evitar a intromissão desordeira na vida alheia (1Ts 4.11; 1Tm 5.13); não dar ocasião para a maledicência por parte dos descrentes no que diz respeito à conduta (1Ts 4.12a); e, novamente, liberar os outros do peso do sustento (4.12b). Na carta aos colossenses, Paulo destaca uma motivação ainda mais fundamental: trabalhar como se servindo a Cristo, pois, de fato, é dele, em última instância, que receberemos o eterno galardão (Cl 3.17, 23, 24). Portanto, negar o trabalho, suprimindo seus desafios, não é uma opção bíblica para o cristão.
O extremo oposto também não é uma alternativa: afirmar irrestritamente o trabalho, acrescentando para si desnecessários desafios. (Basta lembrar a separação instituída por Deus desde a Criação de um a cada seis dias para descanso.) Lidar com o trabalho sem impor limites pode ser o resultado tanto da ansiosa preocupação com o suprimento das necessidades futuras (Mt 6.24-34) quanto do amor pelas coisas supérfluas deste mundo (1Tm 6.7-10). No primeiro caso, o trabalhar desmedido torna-se uma exteriorização da insegurança no cuidado providencial de Deus; no segundo, expressa infidelidade ao Senhor, pelo apego a valores transitórios, como dinheiro, poder e conhecimento (Jr 9.23, 24; Mt 6.19-21).
Devemos, portanto, entender o trabalho como meio de servir a Deus e ao próximo e enfrentar com fé seus desafios, diante dos benefícios que ele proporciona. Contudo, não podemos assumi-lo indiscriminadamente, com a inquietação e a ganância de quem não confia tanto assim na provisão de Deus nem está tão disposto a derrubar os altares idólatras ainda presentes em seu coração. Que ao menos a cada seis dias relembremos a visão bíblica do trabalho e abracemos na semana porvir suas implicações libertadoras!
Qual é o sentido do trabalho, apontado pela Bíblia, para os cristãos? Qual é a importância dele para aqueles que, uma vez chamados e justificados, esperam com fé que sua glorificação seja manifesta? Se já têm a garantia de que, quando Cristo voltar, estarão para sempre com o Senhor, para quê enfrentar os desafios de trabalho antes deste tempo chegar?
Alguns dos cristãos de Tessalônica, aparentemente devido à expectativa da volta de Jesus, não mais quiseram trabalhar (2Ts 3.11). A maneira como lidaram com os desafios do trabalho foi simples: supressão. Para eles, não havia nenhum sentido para o trabalho na vida do cristão. A resposta de Paulo a esse comportamento foi categórica: “(...) se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2Ts 3.10). O apóstolo apresenta, nesse contexto (3.6-12), algumas razões pelas quais o cristão deve trabalhar, a despeito dos desafios enfrentados: não se tornar pesado a outros, em termos de sustento; dar exemplo a ser imitado; fazer coisas úteis; e obter o seu próprio pão.
Agregam-se a estas os motivos mencionados na carta anterior: expressar amor a quem recebe, ainda que indiretamente, os benefícios do trabalho (1Ts 2.6-12); evitar a intromissão desordeira na vida alheia (1Ts 4.11; 1Tm 5.13); não dar ocasião para a maledicência por parte dos descrentes no que diz respeito à conduta (1Ts 4.12a); e, novamente, liberar os outros do peso do sustento (4.12b). Na carta aos colossenses, Paulo destaca uma motivação ainda mais fundamental: trabalhar como se servindo a Cristo, pois, de fato, é dele, em última instância, que receberemos o eterno galardão (Cl 3.17, 23, 24). Portanto, negar o trabalho, suprimindo seus desafios, não é uma opção bíblica para o cristão.
O extremo oposto também não é uma alternativa: afirmar irrestritamente o trabalho, acrescentando para si desnecessários desafios. (Basta lembrar a separação instituída por Deus desde a Criação de um a cada seis dias para descanso.) Lidar com o trabalho sem impor limites pode ser o resultado tanto da ansiosa preocupação com o suprimento das necessidades futuras (Mt 6.24-34) quanto do amor pelas coisas supérfluas deste mundo (1Tm 6.7-10). No primeiro caso, o trabalhar desmedido torna-se uma exteriorização da insegurança no cuidado providencial de Deus; no segundo, expressa infidelidade ao Senhor, pelo apego a valores transitórios, como dinheiro, poder e conhecimento (Jr 9.23, 24; Mt 6.19-21).
Devemos, portanto, entender o trabalho como meio de servir a Deus e ao próximo e enfrentar com fé seus desafios, diante dos benefícios que ele proporciona. Contudo, não podemos assumi-lo indiscriminadamente, com a inquietação e a ganância de quem não confia tanto assim na provisão de Deus nem está tão disposto a derrubar os altares idólatras ainda presentes em seu coração. Que ao menos a cada seis dias relembremos a visão bíblica do trabalho e abracemos na semana porvir suas implicações libertadoras!
Jonathan Simões Freitas, 26 anos, casado com Thalita, é doutorando em administração e pesquisador pela UFMG.
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Texto retirado da Revista Ultimato, edição de Set-Out 2011, seção AltosPapos (pg. 44).
Turma da Alegria
A CEC irá comemorar o Dia das Crianças com mais um evento "Turma da Alegria".
Tragam seus filhos, os amigos de seus filhos, os filhos de seus amigos...
Vamos encher a CEC de crianças, pois haverá uma mensagem evangelística especialmente para elas!
Encontros de Mulheres
Muitas mulheres gostaram muito de discutir sobre a sexualidade feminina no último encontro e pediram que continuássemos com o tema. Agora o discutiremos sob o ponto de vista masculino, no dia 01/10. Venham e tragam convidadas!
(Clique na imagem para ampliar)
O encontro seguinte será no dia 5 de Novembro, com o tema Comunicação em Família.
Na ocasião, teremos o nosso amigo oculto e também o chá-de-panela da nossa irmã Rita.
Aguarde mais informações.
(Clique na imagem para ampliar)
Encontro de Mulheres (Dia 17/09)
Quem marca presença nos Encontros de Mulheres podem comprovar o quanto são edificantes e divertidos!
Mulheres, não percam o próximo encontro, no dia 01/10/2011, às 16 horas.
sábado, 6 de agosto de 2011
Teceduras com José – o presente é a resposta
Por Mariana Furst
Todas as vezes que me encontro com a história de José, seja por (re)leitura voluntária ou por uma pregação que escuto, a memória revira as velhas caixas e vai buscar – em meio à poeira já instalada pelo tempo e escondida em um canto qualquer – a lembrança da primeira vez que a ouviu. De lá para cá, uns 18 anos se passaram.
Naquele primeiro retiro simples que participei – de chão batido, sem piscina ou quadra poliesportiva, com seus alojamentos de tijolos cinzas à vista, bicamas de ferro nos quartos, cozinha larga onde nos revezávamos para lavar as enormes panelas que preparavam o delicioso mingau de banana do café da manhã – e naquele salão ao lado, onde montávamos o nosso espaço de culto, com os bancos carregados por todas as crianças, eu conheci José.
Não sei se pelo suspense criado pelos contadores – que nos faziam aguardar o dia seguinte para só então sabermos mais um pedacinho do enredo – ou se pelo próprio encanto da história, José e seus irmãos entraram para o rol dos preferidos. O modo como fomos apresentados, cercados por tantos afetos, não me permite lembrar de José como mais um personagem bíblico, ou um exemplo a ser seguido, ou como o quarto na fila dos patriarcas – José é um amigo de infância.
Dessa vez não ouvi soar seu nome, nem meus olhos percorreram as velhas linhas. Acho que ele mesmo cutucou-me o ombro e foi logo entrando na minha história. Amigos são de fato assim; alegram-se quando têm um caso semelhante ao nosso para contar; no meio da conversa franca, começam a abrir seus baús de exemplos e a tirarem as tralhas adquiridas ao longo da vida para compará-las, lado a lado, com as nossas. Quando algo entre elas parece se assemelhar, ainda que seja uma coincidenciazinha, aquele sorriso maroto aparece nos lábios. E diriam em uníssono, “bingo”(!), se algo precisasse ser falado para traduzir o olhar de cumplicidade de ambos.
Pois bem. Aproximou o amigo a sua história da minha e fez-me perceber os entrementes. Não quer que eu lhe lasque logo, como os que só o conhecem de nome, o epíteto costumeiro de sonhador, que o coroou pelos séculos. Entre os sonhos da juventude – quando vira os feixes e depois os astros inclinando-se para si – e o fim da história, momento em que os irmãos prostam-se perante ele... – “O que vê?” – pergunta-me. – “O que vejo?” – demoro-me na resposta com medo de não dizer o que espera de mim. (Sim, até entre os amigos existem algumas cerimônias e quem sabe um certo medo de dar um passo em falso). Finalmente, digo-lhe, num tropel de palavras, tudo o que me vem à mente, para não correr o risco de errar: “ – Inveja, venda, trabalho, armadilha, prisão, sonhos, revelações, riqueza...”. Sem me deixar terminar a lista, ele anuncia em tom afirmativo: – “Resposta”. Sem rudeza nem doçura, apenas convicto, ele pronuncia a única palavra e se vai. Sua “resposta” transforma-se na minha pergunta: – “Resposta?”. Creio que me abandonara assim de repente não de maldade. Afinal, todo bom amigo nunca tem todas as “respostas” e esmera-se na tarefa de nos deixar – com sua ajuda, mas com alguma liberdade – chegarmos às nossas próprias conclusões.
Sentada de frente para o painel natural que está diante de mim, reflito no modo como pensei que a tal “resposta” sempre estaria num porvir. Talvez tenhamos algo de semelhante, eu e você, nessa busca infindável por estarmos no centro da vontade de Deus; nesse desejo de descobrir quando se cumprirá o sonho, qualquer que seja ele; ou, ao menos, de ter a certeza que a caminhada está na direção dos dias que foram “escritos e determinados quando nenhum deles havia ainda”. Ansiamos, de algum modo, pelo fim da história, onde tudo, mesmo que não termine bem, parecerá mais conclusivo do que todos esses retalhos que temos em mãos.
Começo a tecer. A colcha de cores sempre me encantou. Nesse movimento percebo que trabalho o presente com o que ele me oferece. Agulha, linha e panos não me pareciam de muito valia. Não que os considere inferiores, mas apenas não consigo coisa alguma fazer com eles, assim como estão, na concha das mãos. Resolvo começar. Acerto, erro, furo o dedo, sinto dor, perco a linha, tenho vontade de chorar, recomeço, faço um ponto e outro e outro, sorrio.
Nesse devaneio multicolorido pareço ter perdido José e sua resposta. Não. Soube o jovem traído pelos irmãos juntar os seus panos. Viveu no Egito fazendo ali tudo o que pôde. Jamais te ocorreu perguntar o porquê de ele não ter voltado para Canaã após ter conseguido dinheiro e status suficiente para fazê-lo? Haveria ele se esquecido dos sonhos da juventude? Pouco provável. Ironicamente, foi interpretando sonhos que se estabeleceu em uma terra que não era a sua.
Intriga-me perceber como ele não correu atrás do sonho. Antes, o esperou. Esperou em plena ação. Talvez por entender cada dia como uma resposta, soube andar com a bruma misteriosa que só nos permite ver o próximo passo, e nada mais adiante. Nem mais um sonho teve ele no Egito, para lhe assegurar de que o caminho era mesmo aquele que percorria. Entretanto, teceu. Trabalhou com todo o material disponível. Tornou-se ele mesmo instrumento.
Vamos ao arremate. Com a chegada dos irmãos, do pai, com a compreensão de que o sonho de José não foi apenas um capricho da parte de Deus para fazê-lo melhor que os irmãos, mas um plano “para a preservação da vida”, compreendemos que no Egito estava a resposta. Na ânsia por encontrá-la, José poderia nunca ter visto que ela estava diante de si, sendo formada a cada nova atitude sua.
Com minha colcha posta sobre os joelhos, cobrindo-me do vento frio que faz agora, vejo José que me diz: – “Aí está!”. Eu, inocente, pergunto: – “O que?”. Olho para o meu colo, volto o olhar para esse garoto matreiro de minha infância e levanto correndo para alcançá-lo. Deixo-te, amigo, chegar à sua resposta.
__________
Mariana Furst tem 29 anos, é mestre em teoria literária e assistente editorial da editora Ultimato
Texo retirado de: http://www.ultimato.com.br/conteudo/teceduras-com-jose-o-presente-e-a-resposta/teceduras+com
Todas as vezes que me encontro com a história de José, seja por (re)leitura voluntária ou por uma pregação que escuto, a memória revira as velhas caixas e vai buscar – em meio à poeira já instalada pelo tempo e escondida em um canto qualquer – a lembrança da primeira vez que a ouviu. De lá para cá, uns 18 anos se passaram.
Naquele primeiro retiro simples que participei – de chão batido, sem piscina ou quadra poliesportiva, com seus alojamentos de tijolos cinzas à vista, bicamas de ferro nos quartos, cozinha larga onde nos revezávamos para lavar as enormes panelas que preparavam o delicioso mingau de banana do café da manhã – e naquele salão ao lado, onde montávamos o nosso espaço de culto, com os bancos carregados por todas as crianças, eu conheci José.
Não sei se pelo suspense criado pelos contadores – que nos faziam aguardar o dia seguinte para só então sabermos mais um pedacinho do enredo – ou se pelo próprio encanto da história, José e seus irmãos entraram para o rol dos preferidos. O modo como fomos apresentados, cercados por tantos afetos, não me permite lembrar de José como mais um personagem bíblico, ou um exemplo a ser seguido, ou como o quarto na fila dos patriarcas – José é um amigo de infância.
Dessa vez não ouvi soar seu nome, nem meus olhos percorreram as velhas linhas. Acho que ele mesmo cutucou-me o ombro e foi logo entrando na minha história. Amigos são de fato assim; alegram-se quando têm um caso semelhante ao nosso para contar; no meio da conversa franca, começam a abrir seus baús de exemplos e a tirarem as tralhas adquiridas ao longo da vida para compará-las, lado a lado, com as nossas. Quando algo entre elas parece se assemelhar, ainda que seja uma coincidenciazinha, aquele sorriso maroto aparece nos lábios. E diriam em uníssono, “bingo”(!), se algo precisasse ser falado para traduzir o olhar de cumplicidade de ambos.
Pois bem. Aproximou o amigo a sua história da minha e fez-me perceber os entrementes. Não quer que eu lhe lasque logo, como os que só o conhecem de nome, o epíteto costumeiro de sonhador, que o coroou pelos séculos. Entre os sonhos da juventude – quando vira os feixes e depois os astros inclinando-se para si – e o fim da história, momento em que os irmãos prostam-se perante ele... – “O que vê?” – pergunta-me. – “O que vejo?” – demoro-me na resposta com medo de não dizer o que espera de mim. (Sim, até entre os amigos existem algumas cerimônias e quem sabe um certo medo de dar um passo em falso). Finalmente, digo-lhe, num tropel de palavras, tudo o que me vem à mente, para não correr o risco de errar: “ – Inveja, venda, trabalho, armadilha, prisão, sonhos, revelações, riqueza...”. Sem me deixar terminar a lista, ele anuncia em tom afirmativo: – “Resposta”. Sem rudeza nem doçura, apenas convicto, ele pronuncia a única palavra e se vai. Sua “resposta” transforma-se na minha pergunta: – “Resposta?”. Creio que me abandonara assim de repente não de maldade. Afinal, todo bom amigo nunca tem todas as “respostas” e esmera-se na tarefa de nos deixar – com sua ajuda, mas com alguma liberdade – chegarmos às nossas próprias conclusões.
Sentada de frente para o painel natural que está diante de mim, reflito no modo como pensei que a tal “resposta” sempre estaria num porvir. Talvez tenhamos algo de semelhante, eu e você, nessa busca infindável por estarmos no centro da vontade de Deus; nesse desejo de descobrir quando se cumprirá o sonho, qualquer que seja ele; ou, ao menos, de ter a certeza que a caminhada está na direção dos dias que foram “escritos e determinados quando nenhum deles havia ainda”. Ansiamos, de algum modo, pelo fim da história, onde tudo, mesmo que não termine bem, parecerá mais conclusivo do que todos esses retalhos que temos em mãos.
Começo a tecer. A colcha de cores sempre me encantou. Nesse movimento percebo que trabalho o presente com o que ele me oferece. Agulha, linha e panos não me pareciam de muito valia. Não que os considere inferiores, mas apenas não consigo coisa alguma fazer com eles, assim como estão, na concha das mãos. Resolvo começar. Acerto, erro, furo o dedo, sinto dor, perco a linha, tenho vontade de chorar, recomeço, faço um ponto e outro e outro, sorrio.
Nesse devaneio multicolorido pareço ter perdido José e sua resposta. Não. Soube o jovem traído pelos irmãos juntar os seus panos. Viveu no Egito fazendo ali tudo o que pôde. Jamais te ocorreu perguntar o porquê de ele não ter voltado para Canaã após ter conseguido dinheiro e status suficiente para fazê-lo? Haveria ele se esquecido dos sonhos da juventude? Pouco provável. Ironicamente, foi interpretando sonhos que se estabeleceu em uma terra que não era a sua.
Intriga-me perceber como ele não correu atrás do sonho. Antes, o esperou. Esperou em plena ação. Talvez por entender cada dia como uma resposta, soube andar com a bruma misteriosa que só nos permite ver o próximo passo, e nada mais adiante. Nem mais um sonho teve ele no Egito, para lhe assegurar de que o caminho era mesmo aquele que percorria. Entretanto, teceu. Trabalhou com todo o material disponível. Tornou-se ele mesmo instrumento.
Vamos ao arremate. Com a chegada dos irmãos, do pai, com a compreensão de que o sonho de José não foi apenas um capricho da parte de Deus para fazê-lo melhor que os irmãos, mas um plano “para a preservação da vida”, compreendemos que no Egito estava a resposta. Na ânsia por encontrá-la, José poderia nunca ter visto que ela estava diante de si, sendo formada a cada nova atitude sua.
Com minha colcha posta sobre os joelhos, cobrindo-me do vento frio que faz agora, vejo José que me diz: – “Aí está!”. Eu, inocente, pergunto: – “O que?”. Olho para o meu colo, volto o olhar para esse garoto matreiro de minha infância e levanto correndo para alcançá-lo. Deixo-te, amigo, chegar à sua resposta.
__________
Mariana Furst tem 29 anos, é mestre em teoria literária e assistente editorial da editora Ultimato
Texo retirado de: http://www.ultimato.com.br/conteudo/teceduras-com-jose-o-presente-e-a-resposta/teceduras+com
sábado, 25 de junho de 2011
Corpus Christi
23 de junho de 2011, quinta-feira, feriado nacional no Brasil. Dia de Corpus Christi. O que é isto? A tradução literal da expressão latina é "Corpo de Cristo". Refere-se a uma solenidade católica celebrada anualmente na primeira quinta-feira após o Domingo da Santíssima Trindade, para comemorar a eucaristia. A celebração do Corpus Christi acontece na igreja latina desde o século XIII. A primeira pessoa a pensar em uma festa especial para o sacramento eucarístico foi Santa Juliana (1193-1258), freira do convento agostiniano de Monte Cornillon, na Bélgica. Juliana compartilhou sua ideia com Robert de Thorete, então bispo de Liége, e com Jacques Pantaleón, que mais tarde seria o Papa Urbano IV. Como no regime católico de administração eclesiástica os bispos têm autoridade para ordenar a celebração de festas em suas dioceses, ele convocou um sínodo em 1246, e ordenou que a celebração acontecesse no ano seguinte. O bispo Robert morreu antes disto, mas a festa foi realizada assim mesmo. Em 1264 o Papa Urbano IV publicou a bula “Transiturus”, na qual ordenava a celebração da festa de Corpus Christi em todo o mundo (e não mais apenas na diocese de Liége). Aos poucos a festa passou a ser celebrada: Colônia (1306), Worms (1315), Strasburg (1316). Desde então, tem sido celebrada em todo o mundo católico .
A pergunta inevitável que surge é: se a festa se refere à instituição da eucaristia por Jesus na noite da quinta-feira que antecedeu sua crucificação (cf. Mt 26:17-30; Mc 14:17-26; Lc 22:7-20), por que é celebrada depois da Semana Santa? O argumento de Urbano IV na já citada “Transitorus” é que na Semana Santa os fiéis devem estar com suas mentes voltadas para a reflexão nos acontecimentos da Paixão propriamente, e por isso, podem acabar perdendo de vista a importância e o significado do evento da quinta-feira. Para evitar que tal acontecesse, a celebração da instituição da eucaristia por Jesus foi deslocada para um período posterior.
“Corpus Christi” é, portanto, uma tradição católica ocidental. O protestantismo e o cristianismo ortodoxo oriental não têm nada que seja similar. Mas a celebração desta festa faz pensar em algo importante, a celebração da eucaristia por Jesus e seu significado. Toda a cristandade tem no partir do pão e no beber do cálice seu ritual mais significativo. Todavia, ao mesmo tempo, muita discussão tem havido em torno do significado deste ritual, que é expressão de fé, e não meramente uma parte da liturgia. Afinal de contas, o que Jesus quis dizer quando afirmou "isto é meu corpo"? A tradição católica, trabalhando com categorias filosóficas tomadas de empréstimo da filosofia aristotélica, entende as palavras de Jesus em sentido literal. Ou seja, conforme o catolicismo, no momento da consagração dos elementos da ceia – o pão e o vinho – acontece uma mudança, não nos acidentes do elemento pão e do elemento vinho (cor, textura, sabor, odor), mas na “substância” destes, ainda que isto seja imperceptível aos sentidos humanos. A esta compreensão dá-se o nome de “transubstanciação”, que significa literalmente "mudar de substância".
A Reforma Protestante no século XVI apresentou compreensões diferentes. Lutero, que fora monge agostiniano, sempre teve a celebração da ceia do Senhor na mais alta conta. Ele divergia da compreensão católica tradicional, mas afirmava que, de alguma maneira, o próprio Jesus se faz presente no momento da ceia, “junto com”, “em com” “e sob” o pão e o vinho. A esta compreensão dá-se o nome de “consubstanciação”, que significa literalmente "com a substância". Na verdade, bem antes de Lutero houve quem entendesse a eucaristia em termos de consubstanciação. Mas o catolicismo tradicional rejeitou esta compreensão.
Zuínglio, contemporâneo de Lutero, iniciador do segmento protestante conhecido como "Reforma Reformada" (que teve mais tarde em João Calvino seu nome mais conhecido) divergiu das duas interpretações até agora citadas. Para Zuínglio as palavras de Jesus ditas por ocasião da última ceia devem ser entendidas de modo figurado, simbólico, e nunca de um modo literal. Portanto, para aquele reformador suíço, o pão e o vinho simplesmente simbolizam o corpo de Jesus morto na cruz e seu sangue derramado.
Carlos Jeremias Klein, pesquisador brasileiro e pastor da Igreja Presbiteriana Independente, em seu livro “Os sacramentos na tradição reformada” (São Paulo, Fonte Editorial, 2005), mostra como a maioria absoluta dos evangélicos no Brasil, pentecostais e não pentecostais, entende a ceia de maneira apenas simbólica.
O já citado João Calvino contribuiu para o debate com outra perspectiva. Para Calvino, no momento da eucaristia Jesus se faz presente de maneira real, não nos elementos em si, mas no coração dos fiéis. Esta é a “presença real” de Jesus na ceia. A compreensão de Calvino talvez seja uma via média entre a compreensão de Lutero e de Zuínglio. No entanto, é desconhecida da maioria dos membros, e mesmo pastores, de igrejas de tradição calvinista propriamente.
Ninguém pode negar a importância da ceia. Ninguém pode negar a importância desta celebração na caminhada cristã. Ninguém pode negar a presença de Jesus Cristo na vida dos que crêem. Não como um ritual mágico, para garantir sorte ou prosperidade. Mas como um momento de renovação de forças para continuar na jornada da fé, do amor e da esperança, no seguimento daquele que se deu por nós, para nossa salvação.
• Carlos Caldas é doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo.
As informações históricas foram extraídas do verbete "Feast of Corpus Christi" da "The Catholic Encyclopedia".
A pergunta inevitável que surge é: se a festa se refere à instituição da eucaristia por Jesus na noite da quinta-feira que antecedeu sua crucificação (cf. Mt 26:17-30; Mc 14:17-26; Lc 22:7-20), por que é celebrada depois da Semana Santa? O argumento de Urbano IV na já citada “Transitorus” é que na Semana Santa os fiéis devem estar com suas mentes voltadas para a reflexão nos acontecimentos da Paixão propriamente, e por isso, podem acabar perdendo de vista a importância e o significado do evento da quinta-feira. Para evitar que tal acontecesse, a celebração da instituição da eucaristia por Jesus foi deslocada para um período posterior.
“Corpus Christi” é, portanto, uma tradição católica ocidental. O protestantismo e o cristianismo ortodoxo oriental não têm nada que seja similar. Mas a celebração desta festa faz pensar em algo importante, a celebração da eucaristia por Jesus e seu significado. Toda a cristandade tem no partir do pão e no beber do cálice seu ritual mais significativo. Todavia, ao mesmo tempo, muita discussão tem havido em torno do significado deste ritual, que é expressão de fé, e não meramente uma parte da liturgia. Afinal de contas, o que Jesus quis dizer quando afirmou "isto é meu corpo"? A tradição católica, trabalhando com categorias filosóficas tomadas de empréstimo da filosofia aristotélica, entende as palavras de Jesus em sentido literal. Ou seja, conforme o catolicismo, no momento da consagração dos elementos da ceia – o pão e o vinho – acontece uma mudança, não nos acidentes do elemento pão e do elemento vinho (cor, textura, sabor, odor), mas na “substância” destes, ainda que isto seja imperceptível aos sentidos humanos. A esta compreensão dá-se o nome de “transubstanciação”, que significa literalmente "mudar de substância".
A Reforma Protestante no século XVI apresentou compreensões diferentes. Lutero, que fora monge agostiniano, sempre teve a celebração da ceia do Senhor na mais alta conta. Ele divergia da compreensão católica tradicional, mas afirmava que, de alguma maneira, o próprio Jesus se faz presente no momento da ceia, “junto com”, “em com” “e sob” o pão e o vinho. A esta compreensão dá-se o nome de “consubstanciação”, que significa literalmente "com a substância". Na verdade, bem antes de Lutero houve quem entendesse a eucaristia em termos de consubstanciação. Mas o catolicismo tradicional rejeitou esta compreensão.
Zuínglio, contemporâneo de Lutero, iniciador do segmento protestante conhecido como "Reforma Reformada" (que teve mais tarde em João Calvino seu nome mais conhecido) divergiu das duas interpretações até agora citadas. Para Zuínglio as palavras de Jesus ditas por ocasião da última ceia devem ser entendidas de modo figurado, simbólico, e nunca de um modo literal. Portanto, para aquele reformador suíço, o pão e o vinho simplesmente simbolizam o corpo de Jesus morto na cruz e seu sangue derramado.
Carlos Jeremias Klein, pesquisador brasileiro e pastor da Igreja Presbiteriana Independente, em seu livro “Os sacramentos na tradição reformada” (São Paulo, Fonte Editorial, 2005), mostra como a maioria absoluta dos evangélicos no Brasil, pentecostais e não pentecostais, entende a ceia de maneira apenas simbólica.
O já citado João Calvino contribuiu para o debate com outra perspectiva. Para Calvino, no momento da eucaristia Jesus se faz presente de maneira real, não nos elementos em si, mas no coração dos fiéis. Esta é a “presença real” de Jesus na ceia. A compreensão de Calvino talvez seja uma via média entre a compreensão de Lutero e de Zuínglio. No entanto, é desconhecida da maioria dos membros, e mesmo pastores, de igrejas de tradição calvinista propriamente.
Ninguém pode negar a importância da ceia. Ninguém pode negar a importância desta celebração na caminhada cristã. Ninguém pode negar a presença de Jesus Cristo na vida dos que crêem. Não como um ritual mágico, para garantir sorte ou prosperidade. Mas como um momento de renovação de forças para continuar na jornada da fé, do amor e da esperança, no seguimento daquele que se deu por nós, para nossa salvação.
• Carlos Caldas é doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo.
As informações históricas foram extraídas do verbete "Feast of Corpus Christi" da "The Catholic Encyclopedia".
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Como orar pela Igreja Perseguida?
Dia 19 de junho foi o Domingo da Igreja Perseguida. Na CEC, tivemos um momento de refletir sobre como a Bíblia nos encoraja a orar pelos irmão que sofrem por Jesus. Nós também nos juntamos em duplas de oração para intercedermos juntos, como igreja missionária, por eles.
Confira o texto de Délnia Bastos, compartilhado no último domingo pela Tita, sobre como podemos ajudar nossos irmãos perseguidos em oração. Leia, reflita e continue orando por esse motivo!
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Para nós, que vivemos em contexto de “não-perseguição”, não é muito fácil interceder de forma correta pelos cristãos perseguidos. A realidade parece ser tão distante da nossa e nem mesmo sabemos qual é exatamente o pedido de oração deles.
Antes, eu orava com extrema compaixão, com pena mesmo, e pedindo a Deus que os livrasse de tanto sofrimento e perseguição. Hoje, depois de conhecer alguns cristãos perseguidos, mudei meu jeito de interceder. Compartilho aqui alguns pontos que tenho aprendido:
1. Devemos interceder pelos cristãos perseguidos não como se eles fossem “coitadinhos”, mas como pessoas dignas, que se sentem honradas por participar dos sofrimentos de Cristo. Há muitas passagens bíblicas que mostram isso. Vejamos o trecho da Primeira Carta de Pedro, escrita em contexto de intensa perseguição ao evangelho (1 Pedro 4.12-16)1:
Amados, não se surpreendam com o fogo que surge entre vocês para os provar, como se algo estranho lhes estivesse acontecendo. Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria. Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês. Se algum de vocês sofre, que não seja como assassino, ladrão, criminoso, ou como quem se intromete em negócios alheios. Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio desse nome.
2. Devemos pedir por intrepidez, coragem, sinais e poder – não necessariamente por livramento, segurança e tranquilidade. A passagem escolhida para ilustrar isso é a oração feita pela igreja primitiva, logo que Pedro e João saíram da cadeia (Atos 4.29-31):
Agora, Senhor, considera as ameaças deles e capacita os teus servos para anunciarem a tua palavra corajosamente. Estende a tua mão para curar e realizar sinais e maravilhas por meio do nome do teu santo servo Jesus. Depois de orarem, tremeu o lugar em que estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus.
Que Pedro e João transformados! Não mais pediram que caísse fogo do céu sobre os seus perseguidores... Nem mesmo pediram o cessar-fogo, mas que fossem fiéis e ousados debaixo do fogo cruzado da perseguição ao nome de Jesus.
3. Devemos interceder crendo na soberania de Deus, que usa o sofrimento e a perseguição para os seus desígnios de alcançar mais pessoas com a sua maravilhosa graça. Paulo compartilha com Timóteo que, apesar de estar preso, a palavra de Deus não está algemada (2 Timóteo 2.8-10):
Lembre-se de Jesus Cristo, ressuscitado dos mortos, descendente de Davi, conforme o meu evangelho, pelo qual sofro e até estou preso como criminoso; contudo a palavra de Deus não está presa. Por isso, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus, com glória eterna.
A sabedoria humana não consegue entender os propósitos de Deus. Mas, como disse Tertuliano, “o sangue dos mártires é a semente da igreja”. Ramez Atallah, diretor da Sociedade Bíblica do Egito2, escreveu que há uma grande chance de que o governo egípcio se torne ainda mais radical. Mas, como um cristão egípcio, ele não se preocupa muito com isso, e até acredita que os cristãos darão um testemunho muito mais eficaz, caso a perseguição aumente. Ele tem certeza de que a fé será ainda mais depurada e haverá mais conversões, apesar (ou por causa?) do sofrimento mais intenso.
É interessante que na área de perseguição, os cristãos estão todos no “mesmo balaio”: ortodoxos, católicos e protestantes. Eles são igualmente perseguidos em locais em que radicais de outra religião são a maioria e a presença cristã os incomoda de variadas formas. Por isso, devemos incluir todos eles em nossa intercessão.
O relatório de 2010 sobre ações anticristãs, produzido pela Associação Evangélica da Índia, descreve de forma cronológica as ações contra protestantes (de diferentes matizes) e católicos no país. (Trata-se de um impressionante relatório de 27 páginas, contendo dados de ações de violência e intimidação aos cristãos em 18 estados3)
A Agência Fides4 revelou que em 2010 foram assassinados 23 agentes pastorais católicos no mundo. O dado surpreendente é que o continente americano foi o campeão, com a morte de 15 destes agentes: 10 sacerdotes, 1 religioso, 1 seminarista e 3 leigos.
5. Devemos transformar a intercessão em ações práticas.
A maior necessidade dos cristãos perseguidos é de encorajamento – por meio de orações, sim, mas também por meio de ações simples, como:
- Escrever cartas de encorajamento;
- Assinar listas e abaixo-assinados, destinados a autoridades responsáveis pela integridade física dos cristãos e cidadãos de um modo geral (há outros grupos religiosos no mundo, não-cristãos, perseguidos por radicais de religiões majoritárias);
- Prestar advocacia mais ampla, na defesa dos direitos humanos também na área religiosa;
- Contribuir financeiramente com a igreja sofredora;
- Ir viver no meio deles, para encorajá-los e servir à igreja nacional.
Há várias organizações que podem ser procuradas para nos ajudar a ajudar5. Que Deus nos ensine a orar e a agir como convém em favor dos nossos irmãos da igreja sofredora.
Notas
(1) As citações bíblicas foram retiradas da Nova Versão Internacional (NVI)
(3) HOWELL, Richard (Secretário Geral da Evangelical Fellowship of India): "Religion, politics and violence: a report of the hostility and intimidation faced by Christians in India in 2010." New Delhi, India, 2010.
(4) Em Notícias CNBB - nº18 (2113) - 08 a 14/05/2011.
(5) No Brasil, a organização mais conhecida e que faz um trabalho muito importante é a Missão Portas Abertas (http://www.portasabertas.org.br/). A Associação de Missões Transculturais Brasileiras pode indicar outras organizações (http://www.amtb.org.br/).
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Délnia Bastos é casada, mãe de três filhos e dirige uma agência de missões transculturais.
Jesus Cristo, o Único Caminho
O vídeo abaixo ilustra muito bem o tema da última pregação do Paulo Menotti, sobre o pluralismo. Que não nos intimidemos ou cansemos de proclamar que Jesus é o único e verdadeiro caminho a Deus!
Festa Genuína
No dia 02 de julho, a partir das 16 horas, acontecerá na CEC a Festa Genuína Jesus na Veia! Os convites já estão sendo vendidos pelo valor de R$6,00 (consumo), na CEC, no horário de 14:00 às 18:00 ou na casa da Corrinha.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
3º Encontro de Homens da CEC
Vem aí o 3º Encontro dos homens da CEC de 2011!
Será no dia 23/06 no feriado a partir de 10:00h, no condomínio Aldeias do Lago. A taxa será de 15,00 para um churrasco. Contaremos com uma palavra do Ation sobre "A imposição dos valores do mundo ao homem cristão." e depois futebol e churrasco!
Mais informações com Ation 8442-1108 ou Roberto 8401-8094.
Confira o vídeo do último encontro:
sábado, 11 de junho de 2011
Aniversário CEC - 15 anos
Vídeo elaborado pelo irmão Roberto Almeida, em comemoração aos 15 anos da CEC.
Ótimo trabalho, Roberto!
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Cadastro
Querido irmão,
Caso você deseje receber e-mails da CEC com notificações de eventos, mande um e-mail para cec.comunica@gmail.com , com o título "cadastro", contendo os seguintes dados:
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Dia das Mães CEC 2009
Vídeo de 2009 das crianças da CEC fazendo lembrancinhas para homenagear suas mães. Lindo demais!
Aniversário CEC - 12 anos
Vídeo preparado para o aniversário de 12 anos da CEC.
Veja fotos antigas, da fundação da Igreja, até o ano de 2008.
Ministério de Dança - Ele vem para te salvar
Vídeo da apresentação do Ministério de Dança da CEC, na ocasião da Páscoa de 2009.
Participantes: Luciara Bernardo, Priscila Bernardo e Thais Sumire.
Ministério de Dança - Sonda-me
Apresentação do Ministério de Dança da CEC, na Páscoa de 2009.
Participantes: Luciara Bernardo, Priscila Bernardo e Thais Sumire.
Noite Romântica 2011
A recepção dos convidados se deu ao som de músicas românticas, com José Ricardo e Sara.
A cantoria continuou com Keilinha, cantando a música "Essência de Deus", de João Alexandre.
Ation e Joice dão as palavras de boas-vindas e agradecem à equipe que organizou a noite com tanto carinho.
Pastor Romário apresenta o Pastor Wanderson Rodrigues, nosso convidado especial que nos trouxe a palavra. brigada, Pastor Wanderson!
Após recebermos a palavra, oramos juntos.
Roberto faz uma declaração para a Euzi e enche a noite de romantismo ao cantar uma música lindíssima que compôs para sua amada na época de namoro.
Confira as fotos dos irmãos que marcaram presença!
O Ministério de Casais e o Ministério de Mulheres agradecem a todos por terem participado dessa noite tão especial!
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